Animais crioulos


A biodiversidade nos sítios e fazendas sempre foi a tônica.

A(o)s agricultora(e)s trabalham com uma multiplicidade de organismos vivos, domesticados ou selvagens, que nos mostra como a vida interage nestes espaços, e como disto resulta uma saudável produção que nos ajuda, na nossa vez, a manter-nos saudáveis.
A FAO indica que há mais de 7.600 raças animais no seu banco de dados sobre recursos genéticos animais, com 190 extintos, e 1.500 em risco de extinção.
O trabalho humano para chegarmos as raças animais atuais é marcante. A nossa capacidade em observar as condições exigidas pelos animais originais, e providenciar que elas fossem atingidas, quase iguala-se ao ato de entrega com que os animais nos presenteiam. Aqueles que vivem junto a eles no meio rural sabem disto tanto quanto aqueles que mantém um ‘mascote’ em casa, nas cidades.
Os animais contribuíram para conosco de muitas formas, podemos dizer que incorporamos suas expressões corpóreas em nós mesmos. E nossas observações nos mostram isto, quando falamos, por exemplo, ‘fulano é forte como um touro’ para referirmo-nos a extrema força física de alguém.
Aquilo que é mais marcante nas qualidades animais podemos encontrar na sua adaptabilidade ao ambiente.
É o caso do gado lageano crioulo, cujos longas aspas ou chifres é uma das presenças animais características da região do planalto de Santa Catarina. Mas, os longos chifres são marcantes em grau semelhante a capacidade que tem este gado em manter-se em ambiente menos elaborado, como os campos de altitude do planalto. É sua rusticidade que atrai os criadores, uma da qualidades que a FAO aponta para ambientes que requerem mais independência para a agricultura.

RAÇA CRIOULA LAGEANA

A história do povo do Planalto Serrano Catarinense, não poderia ser contada sem a presença daqueles animais que por séculos formaram a base da economia da região.
Muitas décadas antes de se ouvir falar da importância da diversidade genética, biotecnologia, conservação de germoplasma ou núcleos de conservação de animais, eram os bovinos Crioulos que compunham o rebanho do Planalto Serrano Catarinense. Naquele tempo, eles estavam presentes nas grandes fazendas onde a pecuária era realizada de forma harmoniosa com respeito ao ambiente. Esses animais serviram de sustento às famílias que habitavam na região, permitindo inclusive a manutenção dos filhos dos criadores em centros mais desenvolvidos para sua formação profissional.
No entanto, apesar de todas as qualidades dos bovinos Crioulos mantidos nos campos naturais, a raça foi substituída aos poucos por aquelas exóticas de origem europeia e zebuína, com o argumento enganoso de que comparada às outras, era menos produtiva.
A raça bovina Crioula Lageana surgiu a partir do trabalho de resgate e preservação de animais remanescentes, por parte de alguns criadores da região de Lages – SC, que tiveram a percepção do valor genético desses animais, alavancando a preservação do precioso acervo que serviu de base para a idealização de uma associação de criadores.
Criada em outubro de 2003, a Associação Brasileira de Criadores da Raça Crioula Lageana – ABCCL surgiu pelo esforço de um grupo de criadores que acreditou na potencialidade dos bovinos crioulos. Atualmente a ABCCL conta com associados distribuídos em diversos estados da federação, que formam núcleos de conservação e utilização da raça.
Diante das importantes informações obtidas após a realização de trabalhos científicos realizados em instituições de pesquisa, Epagri e Embrapa – Cenargen e de ensino, UFSC e UDESC, sobre as características produtivas, reprodutivas e estudos de biologia molecular, foi possível compreender a real importância de conservar e utilizar a raça. De posse do banco de dados dos animais a Associação requereu junto ao MAPA, o reconhecimento oficial da raça e a abertura do Livro de Registro Genealógico. No dia 31 de outubro de 2008, através da Portaria Ministerial de número 1048, publicada no diário Oficial da União em 3 de novembro de 2008, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, reconheceu a raça de bovinos denominada Crioula Lageana e sua variedade Mocha, concedendo à ABCCL, com sede no município de Lages, estado de Santa Catarina, a autorização para efetuar o registro genealógico da raça.

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OVELHA CRIOULA LANADA

A ovelha Crioula Lanada teve origem nos rebanhos introduzidos pelos padres jesuítas no Rio Grande do Sul no século XVII.
Durante o período de colonização portuguesa as ovelhas crioulas foram miscigenadas com outras raças importadas, resultando em um animal muito bem adaptado ao ambiente encontrado no Sul do Brasil.
É um animal rústico, com excelente habilidade materna, de alta prolificidade, não sendo raros os partos gemelares. Apresenta uma exigência de cuidados mínimos para a produção, se adaptando bem em diferentes condições de clima, solo e vegetação.
Dentre as diversas aptidões, encontram-se a produção de lã naturalmente colorida, muito procurada para artesanato e tapeçaria industrial; pele resistente e macia de qualidade superior e carne de maciez e sabor diferenciados.
Pela sua potencialidade é um importante recurso genético para a utilização pela agricultura familiar.

GALINHA SURA

Acredita-se que a galinha sura ou araucana foi introduzida à época do descobrimento do Brasil.
Sua característica marcante é a ausência de cauda, podendo apresentar diversas cores e combinações.
Seus ovos apresentam uma coloração azulada, o que os difere dos ovos das demais aves que possam ser criadas junto.
É uma ave rústica, de carne saborosa, tendo início da postura a partir do quinto mês e seu declínio aos três anos de idade. Tem um tempo de vida que varia entre 6 e 8 anos de idade.
Os galos apresentam altura máxima de 50cm e pesam 4 Kg, sendo que as galinhas medem aproximadamente 45cm e pesam 3 Kg.
Nos poucos estabelecimentos rurais do Planalto Serrano Catarinense em que a galinha sura está presente, é criada livre durante o dia, sendo necessário apenas um galinheiro para a postura e abrigo durante a noite.
A criação pode ser realizada paralelamente a outras atividades agrícolas e pecuárias desenvolvidas pela agricultura familiar.
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